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Inflação desacelera a 0,07% em julho e IPCA volta ao intervalo da meta

Queda nos preços dos alimentos segura o custo de vida; energia elétrica foi a maior pressão de alta no mês, aponta o IBGE

Redação Radar Bahia · Fonte: Agência Brasil·27 de agosto de 2026, 11/08/2026 · 12h36
Queda nos preços dos alimentos segurou o custo de vida em julho, enquanto a energia elétrica foi a maior pressão de altaFoto: Grigorij Kalyuzhnyj / Pexels

A inflação oficial do país perdeu força pelo quarto mês seguido e fechou julho em 0,07%, puxada principalmente pela queda nos preços dos alimentos. Com o resultado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 4,44% em 12 meses e volta ao intervalo da meta definida pelo governo federal. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e vieram em linha com o mercado, que, pelo Boletim Focus do Banco Central, já projetava 0,07% para o mês.

No ano, o IPCA seguiu a trajetória mensal: janeiro (0,33%), fevereiro (0,70%), março (0,88%), abril (0,67%), maio (0,58%), junho (0,16%) e julho (0,07%).

A meta de inflação é de 3%, com margem de 1,5 ponto para mais ou para menos, o que define um intervalo entre 1,5% e 4,5%. Depois de fechar abril dentro do limite (4,39%), o índice acumulado havia estourado o teto em maio (4,72%) e junho (4,64%). Desde 2025, o cumprimento da meta passou a ser avaliado pela inflação dos 12 meses anteriores, e não só pelo resultado de dezembro; o descumprimento só ocorre se o índice ficar fora da faixa por seis meses consecutivos.

O resultado de julho foi o menor desde agosto de 2025 (0,11%). Considerando apenas os meses de julho, é o mais baixo desde 2022, quando houve deflação de 0,68%. O índice de difusão, que mede o quanto a inflação se espalha, ficou em 50% — metade dos 377 produtos e serviços pesquisados teve aumento de preço.

Pelo segundo mês seguido, o grupo Alimentação e Bebidas, de maior peso no orçamento das famílias, teve deflação: queda de 0,67% em julho, após -0,24% em junho. A alimentação em casa ficou 1,14% mais barata, puxada pela redução de tubérculos, raízes e legumes, que recuaram 16,15%. Entre os itens que mais seguraram o índice estão tomate (-29,09%), batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%). O IBGE destacou que o café acumula queda de 17,2% em 12 meses, a maior desde o início do Plano Real, em 1994. Segundo o analista Fernando Gonçalves, do IBGE, a baixa dos preços está ligada ao aumento da oferta de alimentos, favorecida por condições climáticas mais adequadas à produção.

Na outra ponta, a energia elétrica residencial subiu 3,09% e foi o item de maior pressão sobre o IPCA no mês, respondendo sozinha por 0,13 ponto do índice — reflexo de reajustes tarifários em cidades como São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. A expectativa é de alívio nas contas em agosto, por causa do Bônus Itaipu, desconto aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Em Transportes, o destaque de alta foram as passagens aéreas, que subiram 11,67% em julho. Já os combustíveis caíram, em média, 1,44%, com recuos de etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).

Entre os nove grupos pesquisados, os resultados de julho foram: Alimentação e bebidas (-0,67%), Habitação (0,99%), Artigos de residência (0,07%), Vestuário (-0,66%), Transportes (0,05%), Saúde e cuidados pessoais (0,40%), Despesas pessoais (0,22%), Educação (-0,03%) e Comunicação (0,04%). O IPCA mede a variação do custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e acompanha 377 produtos e serviços em regiões metropolitanas e capitais do país.

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